WikiLeaks: quando as informações se tornam perigosas

Todo mundo já deve ter ouvido falar no WikiLeaks. Nessas últimas semanas ele tem sido assunto constante na mídia. A fama se deve ao fato de que o site publicou informações (que deveriam ser secretas) sobre o governo norte-americano e sua tentativa de controlar o mundo, travestida de diplomacia. Inicialmente foi divulgado em abril deste ano um vídeo produzido em 2007 e que evidencia  a violência usada pelos militares norte-americanos no Iraque. O vídeo mostra civis iraquianos sendo mortos durante um ataque aéreo dos EUA.

Logo em seguida, em julho, o site divulgou o Afghan War Diary, composto por mais de 76.900 documentos secretos do governo dos EUA sobre a guerra no Afeganistão. Em outubro foi a vez do Iraq War Logs e o site tornou público quase 400.000 documentos secretos sobre a Guerra do Iraque. Mas a gota d’água para a diplomacia internacional parece ter sido mesmo os documentos publicados em novembro. O WikiLeaks disponibilizou cerca de 251.287 telegramas de embaixadas norte-americanas ao redor do mundo. Os telegramas datam de 1966 até fevereiro de 2010. Seus conteúdos? “Os telegramas mostram os EUA espionando seus aliados e a ONU; ignorando a corrupção e abusos de direitos humanos em Estados ‘serviçais’; negociando a portas fechadas com Estados supostamente neutros e fazendo lobby em prol das corporações americanas”, diz o porta-voz do WikiLeaks, Julian Assange.

Depois desta última publicação todos os olhos (todos os grandes olhos no sentido George Orwellniano da coisa) se voltaram para uma única pessoa: Julian Assange, apontado como principal responsável pelo site. Agora, todo mundo está querendo a cabeça de Assange. Atualmente o governo sueco está pedindo a sua prisão por suposto estupro que ele teria cometido no país, mas o paradeiro de Assange é desconhecido. Enquanto não o encontram vão atacando o WikiLeaks como podem. Esta semana o site sofreu vários ataques e foi tirado do ar, mas já está de volta em um novo endereço: http://213.251.145.96/

Assange  se tornou uma senhora pedra no sapato dos EUA e de seus aliados, afinal de contas, o cara revelou ao mundo o que todo mundo já sabia, no entanto, usou provas documentais bem comprometedoras. Não produziu as provas, mas usou as informações geradas pelo próprio governo norte-americano. As informações que o governo dos EUA utilizava como defesa de sua hegemonia, o WikiLeaks transformou numa arma poderosa e perigosa contra o próprio governo. Por isso, não é de se espantar todo esse alarde em torno da questão. Os EUA estão numa saia justa, não será fácil explicar/justificar tudo o que foi divulgado até agora, que deve ser só a ponta do iceberg. Muita coisa macabra ainda deve estar escondida. Enquanto isso, eles seguem ignorando a liberdade de expressão e censurando as informações divulgadas pelo site. Vão ter muito trabalho pela frente, porque caiu na rede e  muita gente já anda fazendo espelhos do site. Ainda há por aí milhões de Julians Assanges a solta para eles combaterem.

Se quiserem acompanhar as noticias sobre WikiLeaks basta acessar o seu twitter: http://twitter.com/Wikileaks

Ou acessar os sites da Folha e Estadão que criaram páginas especiais em seus sites só para falar (sensacionalisticamente) do assunto.

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