A tecnoutopia do software livre: uma história do projeto técnico e político do GNU

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GNUzinho e meus filhotes impressos 🙂

Eu estou muito atrasada, eu sei, mas ainda compensa uma postagemzinha sobre a publicação do meu livro. Na verdade, esse post é para retomar este blog, porque em tempos de quarentena e apocalipse mundial, nada melhor do que escrever. Escrever é a forma mais agradável de ignorar a vida, como já dizia Fernando Pessoa. Pois bem!

Como muitos de vocês devem saber, a minha pesquisa de mestrado foi sobre a história do movimento que defende o software livre. O produto deste pesquisa foi apresentado em forma de dissertação em janeiro de 2014, quando defendi o meu trabalho na Universidade de São Paulo. Como a banca recomendou a publicação do trabalho eu submeti um pedido de auxílio publicação para a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e em 2016 consegui o necessário para que o livro se tornasse real.

Em 2018 o livro foi publicado pela Alameda Editorial e desde então tenho recebido um feedback bem gratificante. Até arrisco dizer que ele tem se tornado uma das principais referências aqui no Brasil sobre a história do movimento software livre. Para quem ainda não leu e tem curiosidade de saber o que o livro aborda especificamente, aqui vai um breve resumo.

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Como a minha intenção era contar a história do movimento e defender a ideia de que ele em algumas partes do mundo, como aqui no Brasil, assumiu o lugar de outras utopias na virada do século, o livro aborda a história da computação e do próprio software livre a partir de uma perspectiva econômica e política. É claro que não deixo de lado as questões técnicas, mas elas dividem espaço com as questões históricas.

Assim, no Capítulo 1: Tudo assistido por máquinas de adorável graça, eu conto a história do contexto de criação dos computadores pessoais e falo também do surgimento da cultura hacker. Se você é do tipo que tem muito interesse pela cultura hacker, esse capítulo pode te interessar muito. Ele é importante para explicar de onde vem a tradição de compartilhar informações/conhecimento na qual o Richard Stallman se baseia para criar o Projeto GNU.

No Capítulo 2: A Filosofia GNU, explico como a indústria do software nasceu e como o software proprietário se tornou o seu padrão de produção. A partir disso, é possível entender em qual contexto nasce o Projeto GNU, que dá início ao movimento software livre, na metade dos anos 1980. Nesse capítulo eu também explico quais são os principais argumentos do movimento e qual o perfil político-ideológico de seu criador, Richard Stallman.

A parte final, o Capítulo 3: O projeto social do GNU e o software livre como utopia, é o arremate do livro, onde faço algumas considerações sobre as questões ideológicas em torno da disputa entre o software livre e o open source, explicando como a chegada do Linux ao movimento nos anos 1990 deu uma outra tonalidade a ele, tornando-o mais palatável para o mercado e, portanto, mais facilmente cooptável pelo discurso neoliberal. Por fim, falo um pouco sobre a origem do movimento aqui no Brasil e de como ele representou um lampejo de esperança para grupos de esquerda desiludidos com o fracasso da utopia socialista no século XX.

Para quem tiver interesse em saber mais sobre essa história, é possível adquirir o livro nas principais livrarias do país, além, é claro, do site da editora Alameda. Aqui na lateral do blog eu vou deixar a imagem do livro e um link permanente para a página da Alameda, onde ele pode ser comprado.

Fiquem à vontade para enviar sugestões/feedback sobre o livro por aqui ou por e-mail.

Até! o/