Até onde importa ao Google uma política de livre acesso na rede?

O mesmo Google que briga na justiça pelo direito de digitalizar livros e construir a maior biblioteca virtual da galáxia e que faz black out em protesto a lei antipirataria, é o que cede a lobby da indústria cultural e coopera com ela para barrar a pirataria na rede. Se para o Google, os livros existem para serem lidos e não precisam de permissão para serem copiados, porque essa lógica também não é utilizada com outras mídias? Ou ainda, porque os outros copiadores devem ser barrados enquanto o Google reivindica para si esse direito de ser copiador?

Se há uma lógica nisso tudo é a de que o Google apenas se preocupa com a liberdade de acesso às informações disponíveis na rede quando seus interesses não estão em jogo. Fora isso tem mantido uma postura de cooperador, cumprindo a lei que, neste caso, lhe parece “justa”: censura termos relacionados à pirataria, remove conteúdos desagradáveis para os governos de diversos países.

O Google Transparency Report promete tornar públicas as ações do Google em relação à remoção de conteúdos na rede, ao fornecimento de dados dos seus usuários para os governos e informações sobre o tráfego de seus serviços. O serviço disponibiliza alguns gráficos com informações do tipo: número de urls removidas, organizações que solicitam as remoções e os domínios nos quais essas urls estão disponíveis. Na imagem abaixo, um print que fiz da página, a gente pode ver que o número de pedidos de remoção de urls por semana cresceu vertiginosamente do final do ano passado pra cá.

Quem acompanha as noticias sobre pirataria sabe que exatamente ao longo desse período as campanhas anti-pirataria se intensificaram, com uma séria de episódios marcantes, diga-se de passagem: SOPA e PIPA, derrubada de vários sites de compartilhamento de arquivos como Megaupload e Demonoid;  bloqueio do The Pirate Bay por ISP’s britânicos etc.

Sei que esse debate a respeito da “verdadeira face” do Google é muito polêmico e delicado, não se trata aqui de condenar o Google como o capiroto a serviço do mal, da censura, das grandes empresas que faturam milhões com o copyright. Mas sim de não nos enganarmos a respeito de suas intenções ou ações. Saber até que ponto elas prejudicam nosso direito a uma internet livre ou em que situações o Google pode ser aliado(?) nessa guerra contra o copyright e tudo aquilo que restringe nossa liberdade na rede. Não nos iludamos, como uma empresa multibilionária, o Google sempre tenderá a preservar/defender seus interesses e por mais que às vezes eles possam se confundir com os nossos, será pouco provável que ele compre briga com o governo norte-americano e seus lobbystas quando isso pode lhe custar muito caro.

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