Amelia Andersdotter: "informação capacita as pessoas e faz com que seja consideravelmente mais fácil para combater as desigualdades"

Amelia Andersdotter, a mais nova eurodeputada do Partido Pirata sueco ,esteve no Brasil durante a semana passada participando do Fórum da Cultura Digital Brasileira. Ela é coordenadora internacional do PP sueco e veio ao Brasil falar sobre internet e acesso à informação.

Em entrevista à INFO Online, Amelia falou sobre as expectativas do partido para 2010, sobre a participação dos jovens na política e a importância de se garantir o acesso à informação. Confira:

INFO: O que você achou do evento sobre cultura digital que participou no Brasil? Acha que os brasileiros estão engajados nas causas políticas e virtuais?

AMELIA: Penso, sim! É realmente legal ver que o governo brasileiro está fazendo um esforço em manter contato com os movimentos da comunidade e também arranjar eventos sérios para o público sobre o tema. Penso que os fóruns também tocaram em tópicos importantes ao tratar de “boas infra-estruturas de informação” como cabos, educação e facilitação para a livre criação, inovação. Percebo que uma grande parte da constituição brasileira não está ansiosa para receber o futuro como está o Ministério da Cultura, mas todos virão ao redor, creio.

INFO: O que mais a surpreendeu por aqui, em São Paulo?

AMELIA: Em São Paulo? Bom, o fato de que todos se preocupam com carros e trânsito, e um monte de gente parecia muito ansiosa para dirigir sozinho em vez de partilhar o carro (risos).

INFO: Como é seu relacionamento com o Partido Pirata do Brasil? Conte como é discutir política à distância…

AMELIA: Acredito que é bom! Nós nunca tínhamos nos visto antes de minha visita ao Brasil, assim acho que temos um melhor relacionamento agora do que antes. No entanto, um aspecto complicado de discussão política internacional é que é muito difícil para todos ter controle de tudo o que está acontecendo na outra nação. Isto significa que um problema que é enorme na Suécia pode ser de interesse muito raso para os brasileiros e vice-versa – ainda precisamos, talvez, nos aprimorar na hora de informar o outro, ou melhorar no reconhecimento de incidentes que impactarão uma legislação fora de nossas próprias nações.

INFO: Na Suécia e na Europa, o Partido Pirata vem crescendo e ganhando importantes posições. Quais são as expectativas para 2010?

AMELIA: Acho que vamos ganhar assentos no parlamento. O tempo está favorável e estamos maduros. Tenho dificuldades para ver como o Partido Pirata não será necessário, mesmo em âmbito nacional, na Suécia. Os eleitores reconhecerão isso.

INFO: Como você define o eleitorado do Partido Pirata? Percebo que, pelo lado dos críticos, corre certa estigma de que são apenas pessoas jovens, inocentes, e que não possuem uma noção política…

AMELIA: Eles são bem jovens, mas sem noção de política? Isso é enfadonho. Os jovens têm uma mentalidade bem política, e assim como qualquer outra mudança importante na história, pessoas jovens têm a vantagem de compreender e adotar o novo, mesmo politicamente, à frente das pessoas mais velhas. Acho que a popularidade do Partido Pirata entre os jovens mostram que eles não só estão engajados na política em geral, mas também estão dispostos a lutar por seus ideais.

INFO: Qual a tática do Partido Pirata para se popularizar pelo mundo?

AMELIA: O Partido Pirata optou por se concentrar em uma das maiores questões de nosso tempo: como gerimos a informação e o conhecimento em um bom caminho. Isso se tornando uma questão essencialmente importante acho que é uma tática suficiente.

INFO: A realidade sueca é bem diferente da brasileira. O Brasil é reconhecido internacionalmente por possuir altos índices de corrupção e desigualdade social. É possível que, neste cenário, o Partido Pirata do Brasil vença uma eleição e faça bom trabalho?

AMELIA: É claro! Antes de tudo, informação capacita as pessoas e faz com que seja consideravelmente mais fácil para combater as desigualdades – embora possa não ser suficiente, é claro. Em segundo lugar, cair em corrupção é sinal de falta de caráter e não vi isso em nenhum dos piratas brasileiros que conheci.

INFO: Qual é a solução que o Partido Pirata “oferece” para as gravadoras?

AMELIA: Nenhuma. Deixá-las morrer.

INFO: Você baixa muitas músicas, vídeos e outros arquivos pela internet? Que sites usa?

AMELIA: Sim, tudo. Esse é o meu negócio (risos).

INFO: E quanto aos sistemas operacionais, quais usa?

AMELIA: Gentoo e Windows.

Fonte: INFO Online

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Por que usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente?

Pra matar a saudade de postar aqui (ainda não posso me dar a esse luxo enquanto não terminar a bendita monografia) vou deixar pra vocês um texto bem legal sobre a relação entre o uso de software livre e a preservação do meio ambiente. O texto foi publicado originalmente na rede social do Software Livre Brasil, na página do Vicente Aguiar. Espero que gostem!

No dia 04 de outubro, a Revista Muito, ligada ao Jornal Atarde aqui de Salvador, fez uma matéria sobre o “Consumo Verde“, quano foi destacada a relação entre software livre e a preservação do meio ambiente. Como eu participei dessa matéria, assinada pela jornalista Katherine Funke, achei que seria importante mostrar, com um pouco mais de detalhes, como isso acontece na prática.

Sendo assim, segue abaixo algumas pesquisas e projetos que demonstram como usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente:

Diminuição do consumo de energia

Um estudo da IBM em 2009 demonstrou que uma série de medidas adotas pelo sistema operacional GNU/Linux diminuem o consumo de energia de um computador/Servidor. Essas e outras medidas também fazem parte de um projeto internacional, apoiado pela Intel Corporation, denomindo LessWatts.org .

Dentre os vários projetos existentes nessa iniciativa, gostaria de destacar o “PowerTop“. Esse utilitário fornece uma análise detalhada da performance de consumo de energia de um computador – e ainda dá dicas como melhorá-la. Isto porque, o PowerTOP é uma ferramenta do GNU/Linux que verifica os componentes de software que tornam o consumo de energia do sistema maior do que deveria estando no estado ocioso. A partir kernel versão 2.6.21 , o kernel não tem mais uma marcação de timer fixada em 1000Hz. Isto pode dá uma enorme economia de energia, porque a CPU fica em modo de baixa energia por longos períodos de tempo durante o sistema ocioso. Para mais informações (em português), acesse aqui.

Além disso, para quem é usuário do Desktop GNOME, é possível usar o “GNOME Power Manager” que permite qualquer usuário configurar as opções de consumo de energia do seu computador. Normalmente, ele é encontrado no Painel GNOME, como também em “Preferências” no Menu GNOME, mais especificamente em “Gerenciamento de Energia”.

Aproveitamento de Hardware

Uma das características mais interessantes do GNU/Linux é a sua alta performance em termos de aproveitamento de hardware. Isso também foi comprovado pela pesquisa da IBM. Segundo ela, o sistema operacional GNU/LINUX apresenta melhor performance ambiental ao necessitarem de requisitos mínimos de hardwares para funcionar, segundo mostra a tabela abaixo:

Tebelapesquisaharwarelinux

Um outro projeto que representa bem essa capacidade é o Linux Terminal Server Project (LTSP). O LTSP é usado como solução para performance de computadores antigos e para implementação de uma rede de baixo custo. Motivo esse que leva esse projeto a ser usado em escolas, telecentros e projetos de metareciclagem por todo mundo.

Com essa solução é possível ter um servidor principal (geralmente um micro de melhor performance, no qual está instalado o LTSP) e vários clientes conectados via rede a este servidor. Assim, com um servidor não muito potente (ex: 3 Ghz e 2 GB RAM) podemos ter, por exemplo, trinta PCs 486s “pendurados”no servidor, rodando softwares de última geração. Saiba mais (em português)…


LTSP

Muitos usuários de computador não imaginam o que um simples PC é capaz de fazer e o não conhecimento de soluções como a “Multihead” no GNU/Linux é um exemplo claro disso. Afinal, como o próprio nome já informa (“MultiHead” vêm do inglês “cabeças múltiplas”), a idéia do multi-head é otimização e melhor aproveitamento dos recursos que temos em termos de harware de um computador pessoal.

Em outras palavras, isso significa, por exemplo, usar quatro moniotres, quatro teclados e quatro mouses ligados num mesmo gabinete (vulgo “CPU”) para quatro usuários, ao mesmo tempo. Parece milagre? Saiba mais e veja que não…


Agora, por meio de todos esses projetos (e por outros projetos ligados ao GNU/Linux que ainda possam existir!), fica mais fácil entender porque usar GNU/Linux ajuda a preservar o meio ambiente. 🙂