Das transformações que a grande rede causa nas relações sociais

Vi ontem no G1 uma noticia que me interessou bastante. Ela falava sobre o resultado de uma pesquisa realizada por um psiquiatra inglês, dos riscos de crise de identidade sofridos pela geração que nasceu a partir dos anos 90. Essa geração, que recebeu o apelido de geração orkut, estaria correndo sérios riscos ao considerar os relacionamentos virtuais em detrimento do contato pessoal.

O psiquiatra responsável pela pesquisa, Himanshu Tyagi, diz que a internet “é um mundo onde tudo se move depressa e muda o tempo todo, onde as relações são rapidamente descartadas pelo clique do mouse, onde se pode deletar o perfil que você não gosta e trocá-lo por uma identidade mais aceitável no piscar dos olhos”.

Acho importante dizer que senti-me contemplada pela fala dele, já que penso que a grande rede está modificando radicalmente a sensibilidade das pessoas. Eu sei, que essa discussão parece antiga. Mas é um fato que desde que o homem começou a interagir com as máquinas existe uma preocupação em torno de como fica sua relação com os outros homens.

Sinto que nós estamos nos maquinizando demais. Quando preferimos nos trancar em quartos ou escritórios, mantendo contatos virtuais ao invés de procurar uma boa mesa de bar ,ou outros espaços em que possamos conversar e trocar afagos através do toque com quem gostamos, ou trocar farpas com quem não nos agrada, é sinal de que a nossa perspectiva em relação aos contatos sociais está se modificando.

Isso ao meu ver é preocupante, mas não vou aqui entrar no mérito da questão e dizer que há uma solução ou coisa do tipo. Apenas quero discutir esse outro lado das novas tecnologias, esse lado que nos distancia do que é humano, do que é sentimento.

Não estou dizendo aqui que não há sentimento nesses contatos ou que as relações virtuais não são verdadeiras, boas, ou coisa que o valha. Não é isso. Reconheço o lado bom dos sites de relacionamentos e conheço pessoas que criaram relações afetivas sinceras a partir desse mecanismo. No entanto, temo por que as coisas parecem estar caminhando rumo à uma virtualização geral. E aí, como ficará a vida em sociedade? Como encararemos as divergências de pensamentos? Será que nos limitaremos a nos relacionar apenas com pessoas da mesma comunidade virtual e as que não pensam como nós serão facilmente deletadas de nossas vidas pelo clique? Conviveremos somente com quem temos afinidades, construindo um universo onde nada nos contraria? Orkut que o diga!

Até a pŕoxima.

Para ler a reportagem publicada no G1 clique aqui

2 opiniões sobre “Das transformações que a grande rede causa nas relações sociais

  1. Num sei… tô achando esse lance de virtualização muito sério. Pode até ser nóia minha, mas… nunca se sabe.

  2. hum, eu acredito que não, acredito que tudo continuará num “moto perpétuo” como tem sido a centenas de anos a cada passo que a humanidade dava e se deparava com novas tecnologias, descobertas e tals.

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